Por que adoecemos?

Por que adoecemos?

Se esta pergunta for feita a algum cientista da área médica nos dias de hoje, certamente teremos uma resposta dentro do campo da patologia, atribuindo suas causas a viroses, ou a qualquer outro desequilíbrio funcional do nosso organismo e que, na maioria das vezes, é suficiente para justificar sua existência.  Porém, esta mesma pergunta,  dirigida a um filósofo, provavelmente terá respostas de certo surpreendentes para quem vive cercado de referências materialistas. Vejamos, então:

As doenças acompanham a humanidade desde seu surgimento e vêm ao longo do tempo, como qualquer ser vivo,  adaptando-se às novas condições impostas pela natureza humana. As doenças não existem para o homem, muito menos o homem para as doenças, e sim cada um deles está no seu papel, como num teatro onde os personagens interagem cada um na sua função.

Temos de, primeiramente, entender que não somos o centro do mundo, muito menos o centro do universo, somos simplesmente parte disso tudo. Não há como fazer uma peça de teatro apenas com o iluminador. O evento somente será possível se cada um fizer a sua parte, ou seja, se alguém da equipe não cumprir com seu dever, provocará um desequilíbrio no sistema e, consequentemente, uma contraforça surgirá, independentemente da vontade do agente, que visará ao retorno ao equilíbrio. O desequilíbrio surge quando agimos contra as leis da natureza, a contraforça que busca re-harmonizar o sistema é o que chamamos de doença.

Os hindus conheciam bem as leis do Dharma e do Karma, ou seja, nomearam como Dharma, a Lei universal, a harmonia, a Lei divina que  tudo rege, ou seja, como de fato têm de ser as coisas. Chamaram de Karma a manifestação desta Lei. No campo material a ciência já conhece a um longo tempo a lei de causa e efeito, “ a toda causa corresponde um efeito inverso de igual intensidade”. Os hindus, porém, foram mais adiante e reconheciam esta lei da causalidade nos campos mais sutis do homem e não somente no campo físico.

A esta lei  submete-se tudo o que é manifestado. Ela abarca todo o universo que vemos e o que não vemos, pois tudo tem de estar conforme a ordem, tudo tem de expressar os arquétipos divinos, ou seja, tudo o que não está de acordo com o Dharma submete-se, automaticamente, à força do karma para se corrigir. Esta é uma benção divina, é nosso professor corrigindo-nos. Muito embora esta manifestação seja sofrimento, dor, ela vem acobertada de misericórdia e amor. Em paralelo, podemos comparar a palmada da mãe no filho, que jamais quer seu mal, muito pelo contrário.

Neste contexto surgem as doenças que são, nada mais nada menos, que processos de dor tendendo a corrigir desequilíbrios, corrigir nossa rota rumo ao Dharma,  rumo a Deus.

O processo karmático divide-se em três grandes grupos, o primeiro é o chamado Karma pessoal. São karmas de curta manifestação, são os que ocorrem durante uma vida, aquilo que fazemos e cujo resultado aqui mesmo colhemos, nesta mesma existência. Temos por segundo o karma individual. Estes karmas são aqueles que, em face da sua profundidade e abrangência, transferem-se de uma vida para outra, ou seja, acompanham-nos nas nossas reencarnações, até que, finalmente, sejam totalmente limpos. Por último, temos o karma coletivo, que abrange a humanidade como um todo, já que o homem, muito embora seja um indivíduo, não deixa de fazer parte de uma alma universal, que é a alma da humanidade como um todo, o que nos faz todos irmãos. Este karma faz-nos entender também o porquê dos raios ultravioletas que atravessam a camada de ozônio agredida pelo homem,  sem fazer distinção, provocarem doenças em crianças que nunca nesta vida sequer imaginaram ou contribuíram para as causas que destroem o ozônio, ou então por quê tantas crianças morrem de fome sem nada terem feito para isso.

Deus é justiça. Portanto, se não vemos justiça nas coisas certamente não é por ela inexistir, mas, provavelmente, por não termos  a consciência desenvolvida ao ponto de enxergarmos as mãos de Deus operando milagre até nas coisas que consideramos mais nefastas e injustas.

Assim, as doenças são parte disto tudo, sem elas o homem certamente não seria o que é hoje, pois elas, independentemente da evolução da medicina, têm cumprido seu papel nesta grande peça teatral.

Na grande maioria das vezes o homem, não enxergando isto, trabalha as doenças tentando eliminá-las, como se elas não fizessem parte do contexto universal. Esta cegueira tem-nos custado caro, pois essa separatividade mental não nos permite buscar as verdadeiras causas das doenças, que são efeitos e não causas. As causas estão na nossa desarmonia com as leis divinas. A causa é o nosso desequilíbrio interno.

Querer eliminar as doenças é como eliminar alguém que não concorda com nossas idéias, é um princípio animal e não verdadeiramente humano, temos sim é de harmonizar, entender qual é a lei e sermos ela, agirmos conforme  ela, e o sofrimento desaparecerá. Conviveremos com a doença, assim como convivemos hoje, na condição de adultos, com diversas coisas que na condição de crianças nos afetavam.

O homem precisa compreender que a evolução científica, que tem por fim ela mesma e não enxerga além dos vírus, jamais solucionará as doenças, pois a cada vitória comemorada, novas doenças aparecerão. Os vírus, as bactérias, o mundo microscópico em geral sofrerão mutações, as doenças sutilizar-se-ão, passarão a atingir níveis mais sutis do homem e deixarão a milagrosa ciência das pílulas para trás, comendo poeira.

Os gregos diziam  “ mente sã, corpo são “ e não devemos menosprezar tão profundo conhecimento clássico. Eles já sabiam que toda a doença é fruto da somatização de elementos mais sutis no homem. O verdadeiro médico não trata as doenças somente no físico, este trabalho tem de ser feito em paralelo com nosso mental e nosso emocional. Em outras palavras, no resgate da ética de cada um, pois ser ético é estar conforme a Lei, o Dharma; esta sim é a verdadeira medicina. Um verdadeiro médico não se reconhece pelos trajes brancos ou por um diploma e sim pela sua consciência de que a medicina se aplica primeiro na alma, muito contrariamente ao que se pratica nos dias de hoje, onde se restringe a aplicação da medicina corretiva no nosso corpo físico e se esquecem as verdadeiras causas.

Sendo as doenças manifestações somatizadas de questões anti-éticas, ou seja, da conduta da alma, que está utilizando inadequadamente a mente, as emoções e o corpo físico, podemos, aplicando nossa inteligência, discernir  e identificar algumas relações entre as doenças e nosso comportamento, tanto no nível individual como coletivo, vejamos alguns exemplos:

. O câncer de pele com a destruição da camada de ozônio;

. A depressão  com a perda de valores morais que deveriam nortear o homem, que não conseguem ser preenchidos por qualquer outro valor material.

. O câncer de uma forma geral que, em outras palavras, é uma célula que passa a agir fora do sistema, como se fosse autônoma, consumindo enormes cargas de energia, tem uma relação direta com nosso egoísmo e individualismo, nossa  separatividade.

. De uma forma mais individual, as doenças trazem atributos do nosso comportamento, como problemas de articulação, artrite, bursite, têm relação com alguém que não utiliza bem seu corpo físico.

. A catarata é própria de pessoas que não querem enxergar seus problemas, sua vida de uma forma geral.

. O lúpus traz uma relação íntima com o processo de autorrejeição, também é o caso das alergias, ou seja, não concordar com o que é e não ter coragem de mudar.

. Problemas ligados ao fígado têm relação direta com emoções mal vividas.

. Problemas renais têm sua causa no filtro que fazemos de tudo o que nos cerca.

. Problemas estomacais estão ligados normalmente com ansiedades.

. Enxaquecas estão vinculadas ao mau uso da mente.

Ou seja, cada ser humano é um universo distinto, cada um de nós tem seus pontos fracos e fortes. Temos órgãos mais débeis, mais susceptíveis às doenças e a questão não é simplesmente tratar as doenças e sim identificarmos quais são suas verdadeiras causas e, em paralelo, trabalhar estas causas. Só assim nos livraremos delas, pois toda  doença tem sua origem na questão ética moral.

Seja seu próprio médico, cure sua alma para não precisar curar o corpo, tome uma dose de ética todos os dias. Uma dose já é bastante, mas que seja  todos os dias, pois como dizia Platão, pobre do homem que precisa de um médico,  pois desvirtuou a função do corpo e da alma.

2 Comments

  1. Este texto me esclareceu muito.
    Grata por posta-lo.

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