Ritmo

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Ritmo

Quando falamos em ritmo, logo somos conduzidos à ideia da música e por isso nos restringimos a achar que o ritmo é somente um dos componentes musicais que em conjunto com a harmonia e a melodia consubstanciam as formas musicais e possibilitam a sua existência, porém vamos procurar neste artigo ampliar o nosso conceito e aprofundar mo-nos um pouco mais nesta ideia.

A palavra ritmo tem sua etimologia no grego”Rhytmos“e designa aquilo que flui, que se move, movimento regulado. O ritmo está inserido em tudo na nossa vida e é um dos sete princípios básicos da Natureza ensinados por Hermes Trimegisto.

Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce, tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação.”

Tudo na existência tem seus altos e baixos: sempre que há uma ação há uma reação, uma marcha e uma retirada. Os avatares e os “pralayas” que os Hindus falavam, no fundo, são o ritmo, e este é definido pela movimentação ou vibração entre um polo e outro, é uma cadência. Ritmo não é velocidade e sim uma cadência, uma marcação sequencial que o gera. Assim surgem os ritmos da Natureza, as estações do ano, o dia e a noite, os anos,  a vida e a morte, e outros.

A elevação de consciência é, em outras palavras, a utilização de uma técnica de neutralização dos efeitos do ritmo nas polaridades, ou seja, conforme vamos atingindo a sabedoria, adquirimos uma firmeza interior que nos permite, de certa forma,  neutralizarmo-nos com relação aos movimentos do pêndulo, de um lado ao outro. Portanto, ficamos menos sujeitos aos fatores externos e mais firmes quanto ao nosso próprio ritmo interno.

Temos exemplos cotidianos: pessoas que apesar da chuva ou do sol executam suas tarefas da mesma forma, ou ainda, diante da morte ou da vida agem com naturalidade, ou  ainda, diante de ganhos e perdas  mantêm-se estáveis. Isso ocorre, pois já entendem que tudo não passa de uma ilusão, por isto, este estado de neutralização do efeito do ritmo sobre a polaridade  passa a ser uma anestesia, porém, consciente e ativa.

O ritmo tem a ver com a lei da compensação. Como um movimento de pêndulo entre dois polos, sempre há uma compensação: se perdemos um automóvel, o que parece de todo ruim, na verdade não é, pois, em compensação, não precisamos mais pagar impostos sobre ele ou gastar com manutenção etc. Tudo tem seu lado bom e mau, gera prazer e desprazer.

Nas artes, como na vida, o ritmo está presente. Vemos isso na música, nos ritmos biológicos como os batimentos cardíacos, a respiração, o sono e a vigília etc. Até no andar temos um ritmo próprio de desequilíbrio e retomada do equilíbrio.

Ritmo é o tempo que demora para se repetir um fenômeno, e quando é regido por regras,  chama-se métrica.  Na música, todos os instrumentistas lidam com o ritmo, que frequentemente é encarado como atividade principal dos percussionistas.

Não podemos confundir ritmo com velocidade; enquanto ritmo é a pulsação, ou seja, a repetição do fenômeno dentro de um espaço de tempo, a velocidade é o tempo de deslocamento daquele de um ponto ao outro. Este conceito é importante pois muitas vezes quando necessitamos melhorar nosso avanço, erroneamente procuramos aumentar nossa velocidade, desrespeitando nosso ritmo natural, quando o que precisaríamos era simplesmente definir e manter nosso ritmo próprio.

Cada ser humano tem seu ritmo próprio, já que somos um ser único. A nossa relação com o universo também é unica, de forma que cada um tem seu próprio ritmo de sono, de trabalho, de raciocínio etc. O que ocorre é que por falta de autoconhecimento, motivados pela competição e pela busca desenfreada de evolução material, nós desrespeitamos nossos ritmos, o que nos conduz a desgastes desnecessários, sejam mental ou físico.

Imagine dois homens: um gigante e um anão, enquanto o gigante dá um passo, o anão tem de dar três passos. O ritmo de ambos é dar um passo a cada segundo, porém, para que ambos tenham a mesma velocidade de locomoção, o anão terá de dar três passos em apenas um segundo,  o que vai desgastá-lo além do normal. Isto não quer dizer que o anão, mesmo respeitando o seu próprio ritmo de um passo por segundo, não possa ir a todos os lugares que o gigante for, ou até mais.

Este exemplo  mostra-nos como nos agredimos diariamente por desconhecermos os nossos ritmos, e principalmente que deixamos de fazer coisas importantes em nossas vidas pela incapacidade de mantermos nosso ritmo em decorrência de termos abraçado a desritmia.

Alguns conceitos de  ritmo podem variar conforme o autor, porém acabam contidos na mesma ideia.

  • Hermes Trimegisto diz que o ritmo é uma lei universal a que tudo se submete.
  • Dalcroze  caracteriza-o como princípio vital e movimento.
  • Platão define ritmo como sendo um movimento ordenado.

A rítmica é a ciência que estuda o ritmo e que objetiva desenvolver e harmonizar as funções motoras e regrar os movimentos corporais no tempo e no espaço, aprimorando o ritmo.

Embasando-se nestes conceitos, fica clara a importância que o ritmo tem na nossa vida. A compreensão, o desenvolvimento e aperfeiçoamento deste  torna-se muito importante, pois o ser humano é dependente do ritmo para todas as atividades que realiza, seja na vida diária, profissional, desportiva e de lazer.

Observe que quando não conseguimos manter o ritmo tudo se torna mais difícil e perde força, até as coisas mais simples,  como por exemplo, a leitura de um livro, exercícios físicos, o trabalho, o aprendizado de uma arte  etc. Manter o ritmo é aproveitar a lei da inércia, como uma roda que ao girar pela primeira vez necessita de uma determinada quantidade de força motriz, e nas demais vezes vai necessitando cada vez de menos força, ao que chamamos de sinergia, ou alavancagem positiva.

Dizia Adam Smith, um dos grandes estudiosos das leis que regem a economia, que “o difícil é juntar o primeiro milhão.” De forma que ao encontrarmos o ritmo em tudo o que fazemos e o mantivermos, isso nos proporcionará uma evolução mais rápida e sadia e com menos desgaste.

O ritmo ainda pode ser individual, quando falamos de nós mesmos, ou coletivo, quando falamos de uma associação de pessoas, por isso, de uma forma ou de outra,  estaremos sempre ligados ao carma coletivo, imposto pelo nosso erro ou pelo erro do grupo ao qual pertencemos, nem que seja a própria humanidade.

Podemos ainda classificar o ritmo em dois outros grandes grupos, o que depende de nós e o que não depende de nós, este último está relacionado com os grandes ritmos da Natureza ou ainda àqueles  que não influenciamos.

Para haver ritmo precisamos buscar a ordem e a disciplina, canalizar a vontade, a determinação e a constância, ferramentas estas que nos permitirão eclodir do lodo e buscar a luz sobre as águas, assim como faz a flor de lótus.

O ritmo é a pulsação da música, sem ritmo não há música, sem ritmo não há movimento, sem ritmo não há vida.

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