O que é Justiça?

O que é Justiça?

Segundo o filósofo Platão, justiça é dar a cada um aquilo que lhe é próprio.  Podemos afirmar que seja de fato uma definição bem simples sobre o que seja justiça, já que este é um assunto polêmico e que tem dividido muitas opiniões até os dias de hoje. Entretanto, não podemos negar que tal definição sobre justiça seja de fácil entendimento, o que vem endossar o axioma de que as coisas mais simples são as de mais difícil acesso

Este artigo tem por finalidade destrincharmos um pouco mais a definição platônica, para que também através de palavras simples, possamos ajudar na compreensão de tão importante definição.

Interessante é que a grande maioria das pessoas se ocupa de muitos relatos os quais denominam de injustos, porém nem sempre a visão da injustiça é unânime, principalmente se consultarmos as pessoas diretamente envolvidas no fato. Nesse caso, certamente obteremos ao menos uma opinião divergente sobre o mesmo fato. Isso ao menos significa que a visão de justiça e injustiça merece uma reflexão um pouco mais apurada.

Segundo a visão comum de Deus ou da Divindade mais próxima de cada um de nós, certamente esta converge para a justiça, ou um estado de justiça, pois jamais associamos uma ideia Divina com a injustiça, pelo contrário. Se assim é, como, então, podemos explicar todas as injustiças com as quais nos deparamos no nosso cotidiano? Não estaria Deus presente nestes fatos ou nestas pessoas envolvidas? Como podemos entender a passividade Divina ante tantas injustiças que assolam o mundo? A fome, a miséria, a dor, as doenças, a má divisão das riquezas, as guerras e tantas outras que têm lavado de sangue a história da humanidade têm, segundo a visão comum, perpetuado este estado de injustiça no mundo, e como, então, explicar isso?

Ocorre que estamos viciando nossas respostas na medida em que julgamos fatos sem antes entender a Lei que rege todos estes acontecimentos. Para melhor compreensão, vamos iniciar um raciocínio diferenciado do comum: Imagine o leitor uma engrenagem que esteja conectada com outra, e esta segunda com uma terceira, e assim por diante, formando um conjunto muito grande de engrenagens. Agora, imagine estas engrenagens em movimento, cada uma delas fazendo um movimento, não há como cada engrenagem com seu movimento não influenciar o todo. Esta é a Lei da “consubstancialidade” do Budismo, ou “sincronicidade” de Carl Jung, ou seja, nada no Universo está desconectado do todo. Muito embora não pareça, tudo está conectado entre si, assim como as engrenagens do exemplo. Portanto, se movimentarmos as engrenagens a certa velocidade para a direita, obteremos uma resposta do todo, se a contrário senso a fizermos para a esquerda a outra força e velocidade, obteremos resposta adversa.

Todo o Universo segue esta Lei bem simples: Todo ato gera uma ação reversa, coerente e de igual intensidade. As mínimas ações as quais normalmente não valorizamos, correspondem às pequenas engrenagens do complexo do Universo dos acontecimentos, porém, não obstante sua aparente singeleza, estes fatos não estando desconectados do todo, também geram respostas, ou seja, reações sequenciais.

Um dos fatos que nos turva a visão do todo é o tempo de resposta que obtemos de cada ação, pois nem sempre são imediatas. Dependendo da quantidade e da distância entre as engrenagens o tempo de resposta de um determinado movimento pode variar, e é o que ocorre.

Outro fator contributivo, que nos cega à realidade, é a dificuldade de racionalizarmos os acontecimentos, associando a reação com a ação anterior que lhe deu qualidade. Isso ocorre pelo simples fato de estarmos lidando com uma gama imensa de fatores que se interagem como as fibras de um tapete, onde não conseguimos identificar o início e o fim do fio que o tece.

Um terceiro fator é a nossa avaliação parcial dos acontecimentos, os quais não conseguimos observar holisticamente, e tecemos nossos julgamentos através de uma visão restrita que não nos permite ter acesso à verdade, e sim somente parte dela, que como parte nem sempre reflete o todo.

Por último, nossa visão lançada sobre os fatos está contaminada com nosso ego, nossos interesses pessoais que nos separam das pessoas e também da verdade, cegando-nos para a realidade ao mesmo tempo em que nos mantém na ilusão, a qual nos convencemos que seja a verdade. Muitas vezes até entregamos a nossa vida por defender nossa opinião desvirtuada.

Todo esse processo nos tira a reta visão sobre a mecânica do funcionamento do Universo, bem como do funcionamento das nossas vidas e dos acontecimentos coletivos, fazendo-nos crer que existe a injustiça. Entretanto, se justiça é dar a cara um aquilo que lhe é próprio, injustiça é a ausência do discernimento humano que resiste em não ver que tudo está em seu devido lugar, que a criação se construiu e se mantém sob a regência da justiça, e que nada, por mais singelo que seja, acontece que não seja em obediência às Leis do Criador.

Logicamente, é de difícil compreensão, cabendo ao leitor ainda questionar com toda a razão, sobre as injustiças notórias de crianças violentadas e mortas em guerras que sequer sabem do que se tratam. Porém, novamente trago-lhes vista da Lei, convidando-o a elevar a sua consciência e abandonar suas emoções, para que a partir daí possamos desenvolver um raciocínio não somente restrito à nossa mente lógica, mas nos utilizando de uma parte da nossa mente mais elevada e que tenha a capacidade de acessar os fatos vendo-os de cima e não de baixo. Assim, mais uma vez, a visão da injustiça está sendo interpretada restritivamente, já que está sendo deixado de se levar em consideração não somente as vidas passadas como também as vidas futuras de cada ser humano.

 

                            “A injustiça de hoje é a justiça do amanhã”

 

Tudo aquilo que julgamos injusto, ajusta-se no momento seguinte, não obstante este momento não consistir numa reação imediata. Somos ansiosos enquanto a Natureza é paciente, somos cegos enquanto a Natureza tudo vê e tudo contabiliza.

Sempre achamos que o promovido no trabalho não deveria ser o outro, que o aumento de salário tão merecido nunca vem, etc. Porém, o que não percebemos é que se for de fato do nosso merecimento, outras portas na mesma empresa ou em outras se abrirão, ou seja, no Universo não há espaço para injustiças. Criticamos os governantes, os empresários, os médicos, os eclesiásticos, porém continuamos na nossa mediocridade, terceirizando a nossa fé com o padre, nossa responsabilidade social com o vereador ou governador, nosso dever de educar e ser exemplo para nossos filhos com a escola, nossa saúde com os médicos e, assim, vamos-nos mantendo em engano, apontando para os fatos rotulando-os de injustos. Entretanto, afirmo-lhe que injusto é dar saúde àquele que não cuida de si mesmo, que sequer sabe do que se alimenta e não procura saber, vive no excesso, sem qualidade, intoxicado de álcool, carne, fumo e mágoa. Injusto seria se o mundo vivesse na harmonia e paz, com crianças saudáveis e vistosas, numa sociedade onde o ódio, a cobiça, a inveja e a competição preenchem o coração da quase totalidade da humanidade; onde o egoísmo é a base mestra do sistema econômico e político; onde cada um observa e age segundo seus próprios interesses esquecendo-se do complexo coletivo das engrenagens. Isso de fato me surpreenderia!

Ora, caro leitor, ao invés de locarmos nosso tempo em análises e críticas parciais, deveríamos por fim compreender que este mecanismo não se coloca contra nós, pelo contrário, coloca-se a favor de tudo o que vive, pois entendendo sua mecânica, poderemos criar nosso futuro. Ao menos estaremos fazendo a nossa parte no todo, a parte que nos compete.

Não podemos esquecer, ainda, que como seres humanos nós somos ferramentas divinas e através de nós deve percorrer o senso de justiça. Por isso ganhamos o livre-arbítrio e quando agimos contrário à Lei maior, somos relembrados desta através da dor, da miséria, da doença e do sofrimento. Assim sendo, não podemos rotular estes fatos, que em verdade são respostas do Universo, de injustos, pelo contrário, são justos, pertinentes e necessários. Nossa confusão está em associar a injustiça com tudo aquilo que não queremos para nosso ego, como a dor e o desprazer. Tudo aquilo que não é conveniente ao nosso ego egoísta, chamamos de injustiça e o que nos convém chamamos de justiça. Porém, em verdade, a justiça não está nos fatos e sim na Lei que os rege e os direciona, os fatos isoladamente pouco dizem por si mesmos, porém a natureza deles revela um Deus sempre justo.

Aprofunde a sua visão, amplie a sua consciência, e tudo se tornará mais claro, e a partir deste momento somente verá justiça no mundo.

 

“Reze por justiça e sempre será atendido!”

 

 

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