Nossa Missão – Mensagem para 2012

Nossa Missão – Mensagem para 2012

Sempre que encerramos um ciclo, aproveitamos para renovarmos nossos projetos de vida, planos para emagrecer, para trocar de emprego, para comprar um carro novo, e assim por diante, mas raríssimas são as pessoas que se questionam sobre a sua missão de vida, para que estamos aqui e para que serve tudo isso. Se todas as coisas no universo têm uma finalidade, qual então seria a nossa?

Certamente raras pessoas travam este questionamento consigo mesmas. A grande maioria que consegue responder a esta pergunta o faz ainda de forma distorcida e sem profundidade. Depois de muito refletirem, podem concluir por respostas diversas que conduzem a enganos, como por exemplo:

  • Achar que sua missão é ser uma boa mãe ou um bom pai;
  • Achar que sua missão é ser um bom profissional naquilo que faz;
  • Achar que sua missão é ampliar seus negócios e gerar mais empregos e lucro;
  • Achar que sua missão é transmitir aos outros o que sabe,
  • Achar que sua missão é ganhar dinheiro, melhorar economicamente.
  • Etc. etc.

Desta forma, teríamos muitas missões, porém, há uma missão que é única, superior e comum a todos. Primeiramente, se acreditarmos que simplesmente nossa missão esteja no rol acima apresentado, estaremos incorrendo num grave erro, este erro estaria no foco da missão que abraçamos, que sequer podemos chamar de missão e sim de objetivos, metas, projetos, etc., que norteiam nosso cotidiano, porém não são a missão de que falamos.

Do ponto de vista da etimologia da palavra, o termo “missão” vem do latim “missione” e “miquere” que significa enviar, mandar. No meio cristão, o termo “missão” passou a ser empregado no plural, “missões”, o que não anula o sentido nem o objetivo. A palavra “missa” origina-se da palavra latina “missa”, que significa despedida, e a própria palavra despedida nos conduz à idéia de saída de algum lugar para futuro retorno, ou seja, fomos enviados a uma viagem e um dia deveremos retornar às nossas origens.

Ora, neste diapasão, a nossa missão então tem a ver com o objetivo primeiro pelo qual fomos criados e o por que estamos aqui. Portanto, a questão resume-se não exatamente ao que temos de fazer exteriormente, e sim o que temos de fazer quanto à nossa própria essência, ou seja, todas as respostas à pergunta que nos fazemos sobre qual é a nossa missão, as quais objetivam ganhos e afazeres externos, como as acima relacionadas, não passam de respostas vagas e sem conteúdo. Prova disso, é que fazemos muitas coisas, ganhamos dinheiro, divertimo-nos, e até ajudamos pessoas, porém, ainda nos sentimos perdidos quanto à assertiva de termos cumprido a nossa missão. E por que isso ocorre?

Ocorre pelo simples motivo de ainda não termos descoberto qual é a nossa verdadeira missão, ou seja, para que fomos enviados, e não tendo um foco bem definido e conceitualmente correto, perdemo-nos na diversidade e nos encantos sedutores do mundo, como uma criança que entra numa loja de brinquedos.

Segundo a filosofia a nossa missão de vida é única quanto à sua essência, porém, nossa formatação social, política e religiosa faz-nos esquecê-la. Platão chamava esta lembrança de memória reminiscente, este esquecimento ocorre pela educação distorcida, pelas ideologias e pelas crenças políticas, sociais e religiosas que recebemos desde quando nascemos e no decorrer de toda a nossa vida. Para entendermos melhor isso, faço uma analogia com a relação do homem com a água.

Antes de nascer somos aquáticos, não tememos a água e temos uma excelente relação com ela, devemos a ela a nossa vida, já que quando estamos dentro do útero materno estamos envoltos em água, porém, assim que nascemos somos de certa forma afastados dela, e crescemos ouvindo nossos educadores dizendo que devemos ter cuidado com a água, que ela é traiçoeira, que água não tem cabelo, que a água mata, etc. Quando pela primeira vez você teve contato com o mar ou com um rio ou mesmo com uma piscina, provavelmente deve ter ouvido palavras que lhe impuseram medo e que criaram uma crença de que para você entrar na piscina deveria primeiro aprender a nadar. Ora, quando lhe afirmaram isso, estavam a contrário senso afirmando que você não sabia nadar e por acreditar nisso, de fato passou a não saber. Observem que se colocarmos um bebê na água sem assustá-lo ele nadará sem traumas, sabe o que isso significa? Significa que a nossa educação nos fez desaprender a nadar para depois termos de reaprender, pois, se de fato fôssemos educados conforme nossa natureza humana livres de preconceitos, rótulos, ideologias e crenças limitantes, não somente todos saberiam nadar, mas também não teríamos desaprendido a focar a nossa verdadeira missão.

E qual, então, é esta missão comum a todos a qual nos esquecemos? Resposta simples, na Antiguidade estava escrita na porta principal do Oráculo de Delfos na Grécia:

“Ó HOMEM, CONHECE-TE A TI MESMO E CONHECERÁS OS DEUSES E O UNIVERSO.”

O autoconhecimento é a nossa única missão, pois somente ele pode libertar-nos das garras do apego que nos mantém presos ao mundo material. Temos, em princípio, duas vertentes para atingi-lo, quais sejam:

– A primeira é a instantânea, esta é atingida pela meditação profunda onde conseguimos conectarmo-nos plenamente com o Cosmo, fundindo nosso ego com a mônada coletiva humana, é instantânea, caminho este trilhado por raríssimos seres humanos.

– O segundo é o caminho do autoconhecimento através das ações, da busca constante da sabedoria, da auto construção através das ações, do cultivo de um comportamento ético e moral, diário e constante. Este é o caminho do filósofo, no esoterismo é a figura do discípulo no caminho das diversas iniciações.

Compreendamos que o autoconhecimento é libertador por nos fazer compreender e aceitar a nossa origem divina, é a descoberta do Deus em nós, quando isso acontece ficamos livres das nossas limitações e passamos ao nível de consciência que podemos chamar de fato humano, com capacidade de amar incondicionalmente todos os reinos, deixando de agir contrariamente às Leis da Natureza.

Portanto, neste novo ciclo que se inicia em 2012, façamos uma análise de consciência e vamos procurar reposicionar nosso leme para o autoconhecimento, que pode ser obtido não somente através da pesquisa e do estudo da Filosofia, mas sobretudo, pelas ações coordenadas e conscientes, fazer o que deve ser feito motivados pelo amor a Deus, a nós mesmos e ao nosso próximo.

ARTIGO INTERNO Nº 074 – Walmir Cardarelli em 18/12/2011

4 Comments

  1. Caro Irmão,
    Apesar de distante cotinuo um aprendiz, com saudade da academia e lendo os artigos aqui postados para manter uma ligação com todos desta escola. Grato pela mensagem e que celebremos este momento em que estamos cada vez mais conhecendo a nós mesmos, as vezes de forma suave e outras vezes um tanto tempestiva, mas sempre ascendendo nesta espiral evolutiva.
    Abraço e Paz Profunda a todos.

  2. Olá Alexandre,

    Obrigado por manter contato. Pretendemos trazer cada vez mais conteúdo para o site, com artigos, podcasts e em breve alguns vídeos!

    Abraço

  3. Nossa missão de vida está presente nas nossas ações, posturas, maneiras de ser, atitudes e etc. Essência individual de cada um que carrega desde o nascimento e ao longo de sua existência. Ao longo da existência de vida vamos nos auto conhecendo. Levando em conta as influências externas, ou seja, social, política e religiosa.Dessa forma enfrentamos escolhas mudando em alguns momentos o nosso destino.
    Mesmo assim viver sempre vale a pena.

  4. Para mim é a única salvação. Na verdade sinto que não há outra salvação de se livrar de uma vez por todas dos medos: da morte, da rotina, do abandono, falta de disciplina, etc. No mundo que me cerca, eu vejo que a sociedade já acabou, mas persiste porque é muito complexa, impossível e inviável reverter. Nos tornamos extremamente ambiciosos e viver no presente virou o maior desafio para mim e aos que me cercam. Então, admitir para si próprio que só fez besteiras até agora, mas sem culpa, e ir buscando todos os medos no inconsciente, todas os desejos, manifestando-os de alguma forma. Se não estivéssemos tão desacreditados no sentido da vida essa escola não seria capaz da demanda que a religião convencional não mais me trás, o que na prática, ainda não aconteceu, ainda… Parabéns pelo artigo.

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