Quem são nossos inimigos?

Quem são nossos inimigos?

QUEM SÃO NOSSOS INIMIGOS?

 

                  Como é de praxe, quase a totalidade das pessoas procura a causa dos seus conflitos fora de si mesma, como se houvesse um inimigo fora. Esta visão   acaba sendo confortável e por que não dizer conveniente, já que havendo um inimigo fora podemos travar uma batalha contra alguém conhecido e, principalmente, acabamos por firmar a nossa autoimagem, a qual concluímos que não somente está correta, mas como de fato os outros estão contra nós. Portanto, somos vítimas, e assim nada precisa ser mudado em nós mesmos.

Todavia, deixamos de perceber que estas posturas diante da vida não passam de ilusões que habitam o nosso inconsciente e que nos mantêm cegos quanto ao nosso verdadeiro inimigo. Se é que ele existe!

É de difícil entendimento e aceitação que inexiste um inimigo externo e que esta figura do inimigo, muito embora nos pareça por demais real, tanto é que atribuímos a ele nome e endereço, na verdade, não passa de um subterfúgio para que mais uma vez fujamos da verdadeira responsabilidade sobre a nossa própria vida que é o cumprimento da Lei da Evolução. Resumindo, a questão é nossa para conosco mesmo.

Perceba, caro leitor, que a quem chamamos de inimigo é na verdade a revelação de quem de fato somos. Neste raciocínio não vem ao caso quem seja ou qual o comportamento deste, mas sim, o que nos importa é o quanto de nós ele nos revela. Ou seja, se guardamos mágoa e ressentimentos dele, é porque ainda estamos permeados de mágoa e ressentimentos dentro de nós, pois nosso inimigo somente é capaz de ativar em nós aquilo que ainda não temos sob controle no nosso íntimo. Neste diapasão, analisando o nosso comportamento ante aquele a quem chamamos de inimigo, perceberemos se somos violentos, vingativos, odiosos, etc. ou, contrário senso, o quanto já somos capazes de perdoar, compreender e amar.

Se de fato existe um inimigo, num primeiro momento sem muito aprofundamento, podemos afirmar que ele não está fora e sim dentro, ou seja, nosso verdadeiro inimigo habita dentro de nós e se constitui do nosso EGO, que se encontra doente, e que nos faz conviver com nossas “sombras”.

Sombras são todos os nossos traumas, instintos não controlados, egoísmo, ignorância, medo, ou seja, a sombra é exatamente do tamanho da distância que a nossa consciência se encontra afastada do nosso verdadeiro SER. Neste hiato, onde a luz ainda não alcançou, encontramos o que denominamos de “sombra”. Assim sendo, tudo em nós, onde não permeia a consciência desperta para a verdade, manifesta-se através de sombras.

Desta forma, podemos estar vivendo somente nas sombras, ou boa parte da nossa vida permeada por elas. Assim, formam-se o caráter e o temperamento de cada ser, que corresponde à forma com a qual nos manifestamos no mundo, no dia a dia.

Perceba, caro leitor, que não obstante muitas vezes você brigar e reprovar certos comportamentos, mesmo assim, você insiste em reproduzi-los. Isso ocorre devido à sua consciência de vigília estar sendo permeada por sombras que habitam o inconsciente ou parte dele que ainda não se iluminou pela luz que oriunda do nosso verdadeiro SER.

As sombras fazem parte do nosso NÃO SER, enquanto a luz faz parte do nosso SER. Posto isto, quanto mais a nossa consciência se voltar ao nosso SER menos sombras habitarão a nossa personalidade. Por isso, não adianta lutar contra a sombra já que ela não é palpável e não existe por si mesma. Não se travam lutas no mesmo ambiente onde se encontra a natureza no nosso pseudo- inimigo, pois, neste caso o nosso inimigo não é exatamente a sombra, a qual é meramente um efeito de uma postura de consciência divergente das Leis que regem a natureza do homem, ou seja, se deixamos de pôr luz na nossa vida, concomitantemente nos submetemos às sombras.

O fato supra, de lutarmos contra as sombras, é tão absurdo quanto alguém tentando pisar na sua própria sombra a fim de eliminá-la, ou ainda, querer agredir um reflexo no espelho achando que está lutando contra algo real. Ora!  Será que tal estupidez não está sendo por nós reproduzida todas as vezes em que lutamos contra um vício?

Observe mais atentamente, caro leitor, que não é contra a sombra que devemos lutar, pois esta também não é nosso verdadeiro inimigo.

Destarte, se aquele a quem chamamos de inimigo externo não é nosso verdadeiro inimigo, e se quando mergulhamos em nós mesmos encontramos nossos vícios aqui denominados de sombras, e também concluímos que estas também não se constituem como inimigo, então contra quem, de fato, devemos lutar? Quem de fato é nosso  inimigo?

Quando o leitor realmente discernir com profundidade, perceberá claramente que não existe inimigo algum e que não se deve lutar contra nada, pois lutar significa resistir, confrontar, infringir e violentar e, sempre quando agimos submetidos por estas condições e intenções, em verdade estamos fortalecendo nossas sombras, pois estamos agindo sob sua égide, contrariamente ao princípio da Luz.

Quem sabe depois de muito lutar e ver sua vida piorar e não progredir no caminho espiritual e material, o leitor perceberá que, para eliminar as sombras, é desnecessário lutar. É necessário agir pelo agir, dentro do referencial de um verdadeiro Ideal de Vida, ser útil e não se apegar ao resultado das ações, simplesmente fazer o que tem de ser feito, sem que estas ações tenham por fim favorecê-lo e, somente assim, vai levar luz aos mais ocultos cantos da personalidade, constatando ao final que não precisou lutar contra ninguém e que o inimigo ao qual procurava não existe nem fora nem dentro de si mesmo.

Nas artes marciais conseguimos enxergar com maior precisão o ensinamento acima, pois são considerados como verdadeiros mestres não aqueles que lutam com maior destreza, mas sim aqueles que não precisam lutar.

 

Quem é seu verdadeiro inimigo?

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