Julgamento

Julgamento

JULGAMENTO

 

Toda opinião ou juízo que desenvolvemos no presente está intimamente ligado a fatos antecedentes. Quase sempre, todos estamos vinculados a fatores de situações pretéritas, que incluem atitudes de defesa, negações ou mesmo inúmeras distorções de certos aspectos importantes da vida. Tendências ou pensamentos julgadores estão sedimentados em nossa memória profunda, são subprodutos de uma série de conhecimentos adquiridos na idade infantil. Censuras, observações, superstições, preconceitos, opiniões, informações e influências do meio, inclusive de instituições diversas, formaram em nós um tipo de reservatório moral (coleção de regras e preceitos rigorosamente seguidos) do qual nos servimos para concluir e catalogar as atitudes como boas ou más.

Nossa concepção ético-moral está baseada na noção adquirida em nossas experiências domésticas, sociais, e religiosas, das quais nos servimos para emitir opiniões ou pontos de vista. Em razão disso, os frequentes julgamentos que fazemos em relação às outras pessoas informam-nos sobre tudo aquilo que temos por dentro. A “forma” e o “material” que usamos para julgar os outros residem dentro de nós. Melhor que medir ou apontar o comportamento de alguém, seria tomarmos a decisão de visualizar onde tudo isso está dentro de nós mesmos. Ou seja, nosso julgamento é nosso reflexo no espelho, o que condenamos nos outros é exatamente o que temos dentro de nós e não temos coragem de enfrentar.

Só poderemos reabilitarmo-nos ou reformarmo-nos até onde conseguimos percebermo-nos, ou seja, aquilo que não está consciente em nós dificilmente conseguiremos reparar ou modificar. Ainda dentro do contexto, julgar uma ação é diferente de julgar a pessoa em si. Posso julgar a prostituição moralmente errada, mas não posso nem devo julgar a pessoa que se prostitui. Ao usarmos da empatia, colocando-nos no lugar do outro, “sentindo e pensando como ele “, em vez de pensar “a respeito dele”, teremos uma maior compreensão diante dos atos e atitudes das pessoas.

Essencialmente, tudo aquilo que decretamos ou sentenciamos tornar-se-á nossa “própria medida”, define como iremos viver conosco mesmos e com os outros. O ser humano é um verdadeiro campo magnético, atraindo pessoas e situações, as quais sintonizam amorosamente com seu mundo mental, ou antipatizam com sua maneira de ser. Nossos julgamentos serão sempre os motivos de nossa liberdade ou de nossa prisão no processo de desenvolvimento e crescimento psico-espiritual.

Há um mal-entendido quanto à frase bíblica “não julgueis para não serdes julgados”. Aparentemente, este imperativo deveria ser aplicado de uma maneira indiscriminada, porém o julgamento a que se referiu o mestre é o julgamento meramente crítico, aquele desnecessário, aquele feito sem qualquer critério de conhecimento mais profundo, aqueles que fogem da nossa alçada, ou seja, o julgamento que nada nos acrescenta, que nada soma  e que, muitas vezes, prejudica aquele a quem nós colocamos no banco dos réus.

Porém, não podemos confundir este tipo de julgamento desrespeitoso e difamador com os infinitos julgamentos que temos de fazer cotidianamente, já que nossa própria mente, por natureza, funciona na base da comparação e escolha por julgamento, ou seja, todas as nossas decisões são tomadas com base nos nossos julgamentos. Julgamos se algo que nos oferecem serve ou não serve para nós, julgamos a qualidade dos alimentos, julgamos se uma religião está ou não cumprindo seu papel, etc. A isto denominamos discernimento espiritual. É o julgamento que necessitamos para direcionarmos a nossa vida conforme um ideal.

 

Conheça-se pelos seus julgamentos.

1 Comment

  1. Simplesmente sensacional. Esse pequeno trecho me abriu os olhos em uma fase em que tentava não julgar absolutamente nada. Mas, como foi dito, julgar a ação e NÃO as pessoas. Decidir baseado em julgamentos na forma de discernimento espiritual e não impregnada por moralismo.
    Obrigado irmão PH!

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