A escravidão da mente

A escravidão da mente

A ESCRAVIDÃO DA MENTE

 

Ao longo dos tempos, as religiões têm-nos imposto o império do proibido. Fazem isto através dos seus dogmas e de seus imperativos religiosos que nos impõem este ou aquele comportamento. No entanto, pouco ou quase nada observamos de evolução na humanidade em centenas de anos.

 

Somos 2.920.000.000 cristãos, 1.600.000.000 muçulmanos, 750.000.000  hinduístas,  500.000.000  budistas, 100.000.000  xintoístas, já totalizando quase 6 bilhões de pessoas, sem contar as demais religiões de menor expressão e aqueles que se dizem “espiritualistas”.

 

Em verdade, os processos religiosos, sejam eles ocidentais ou orientais, não estão atingindo seu objetivo, vez que notamos que a humanidade globalizada não tem sido capaz de solucionar seus problemas mais elementares como o saneamento básico, a mortalidade infantil, a pobreza, o desperdício, a poluição, as guerras, os êxodos, a má distribuição de renda, as epidemias, as drogas, a violência e toda a sorte de consequências advindas de uma queda moral globalizada.

 

Há uma explicação como também há um motivo para isso. A iniciar do motivo, posso dizer que em verdade não há no mundo instituições ou movimentos relevantes que, de fato, trabalhem a vontade de mudar o atual cenário, já que este atende aos interesses mundanos não somente do capitalismo,  como também das falsas religiões que sobrevivem da ignorância humana. Creio que esta seja a parte mais fácil de entender.

 

A atual classe política não se interessa de fato em contribuir com a formação de um povo consciente porque isso seria agir contra seus próprios interesses personalísticos,  pois ter massa de manobra é a melhor forma de se manter no poder. Por outro lado, a religião contribui com este estado de ignorância e que a ela também interessa pelos mesmos motivos. Assim sendo, faz parte da função da religião apaziguar o povo, o que vem ao encontro do que necessitam os manipuladores.

 

“Você se torna escravo de tudo aquilo que busca e também do que evita.”

Academia

 

Apaziguar não necessariamente traz a evolução consciencial da humanidade, já que a palavra “apaziguar” pode ter dois significados. No seu sentido elevado significa levar a paz aos corações criando uma grande fraternidade universal, porém, para tanto, deve conduzir cada indivíduo ao seu melhor, permitindo e contribuindo para a eclosão do espírito Divino que habita em cada um de nós. Porém, em sentido inverso, apaziguar significa também tornar seus seguidores passivos e desprovidos de capacidade de pensar e questionar, o que os torna adequados e susceptíveis a todas as formas manipulativas.

 

Já a explicação para o não real desenvolvimento espiritual está na frase que encabeça o artigo, sobre a qual vamos discorrer para melhor compreensão.

 

A questão não é somente fazer ou deixar de fazer algo, o mais importante é o quanto de apego cada ação carrega em seu bojo: se buscamos a ação, ficamos reféns do prazer que o objeto da busca nos proporciona. Por outro lado, se fugimos e a evitamos é porque já estamos reféns do seu oposto.

 

Esta é a grande questão oculta e não revelada que tem mantido milhões de pessoas em estado de ignorância e que explica o fato de a humanidade ter vivido anos de expansão tecnológica e religiosa e ao mesmo tempo uma retração evolutiva quanto à qualidade de vida espiritual. O que à primeira vista nos parece antagônico, em verdade não é, pelo contrário, traz em si embutida uma lógica natural e psicológica.

 

Em outras palavras, digo que fomos ensinados e mantidos na ação pelo medo e não pelo amor, o que inclui o medo da dependência, o medo da solidão, o medo de perder, o medo de adoecer, o medo de morrer, o medo de irmos para o inferno e tantos  outros medos que nos têm aprisionado. Assim sendo, se nossa ação se calca na fuga do desagradável é porque somos prisioneiros do agradável.

 

A escravidão é, em suma, uma condição de involução espiritual, que se retroalimenta através da ignorância da própria natureza humana e das Leis que regem o Todo. Assim sendo, à medida que somos apresentados e convidados a viver consoante a verdade, nós nos libertamos proporcionalmente da escravidão por nós mesmo criada.

 

Na prática, nossa escravidão é sempre nascida em nossas mentes que distorcem a realidade, o que nos conduz a escolhas e atitudes equivocadas ante a vida, em especial quando damos importância ou muita importância àquilo que não tem importância ou pouca importância tem quanto ao fomento do real sentido da nossa vida.

 

Neste diapasão, quando tememos alguém ou uma determinada ocorrência, em verdade estamos dando força a esta pessoa ou a este fato, os quais, ao mesmo tempo refletem sobre nós a própria força e energia que originalmente lançamos sobre estes, gerando, então, um laço energético e psicológico que nos coloca inferiores ao que somos.

 

A isto denominamos “escravidão”.

Submit a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *