Fanatismo

Fanatismo
Fanatismo

Fanatismo

O fanatismo é mais um dos males silenciosos que assolam a humanidade e está presente entre os homens em especial quando desaparece o discernimento.

No seu sentido denotativo, significa uma paixão cega que leva alguém a excessos em favor de uma religião, doutrina, partido etc.

Na sua etimologia que advém do grego “fanaticus”, significa aquele que pertence ao templo, referindo-se àqueles que em excesso acabavam  flagelando-se nos rituais.

O fanático não se restringe a uma ideia religiosa: podemos encontrá-lo na política, em empresas comerciais, em doutrinas filosóficas, ordens, associações, num país, times de clubes etc.

O fanático não escolhe lugar, ele surge pela falta de discernimento, acredita numa ideia fixa e não consegue estabelecer parâmetros de raciocínio lógicos.

Todo fanático traz consigo sintomas comuns, independentemente da ideia que apregoa:

a) Possui uma ideia fixa – Esta ideia, não necessariamente, porém, muitas vezes está vinculada à salvação de si mesmo e da humanidade e por isso é muito comum encontrarmos fanáticos dentro das religiões, ordens, ou mesmo no veio de organizações que buscam o bem comum. Esta ideia fixa pode estar vinculada a um time de futebol, ou ainda a uma escola de samba, porém todo fanático estará pronto para expor sua ideia.

b) Detentor da verdade e do único caminho – Todo fanático sempre se mostrará como o dono da razão, pois jamais poderá abrir mão de sua crença, já que se fizer isso estará abrindo mão da sua razão de viver. Apresenta-se também como detentor do único caminho para a evolução ou salvação, ou ainda, como expressão de um clube, sendo que sempre está do lado do melhor, do campeão.

c) Ação e sacrifício – O fanático sempre está disposto a agir ou submeter-se a um sacrifício pelo seu ideal; pode passar noites em vigília, ficar horas em filas para adquirir uma entrada para um show ou uma partida de futebol, enfim, não mede sacrifício pelo que acredita.

d) Não ouve e não vê – O fanático, por alimentar uma ideia fixa, não se permite sequer cogitar a possibilidade de estar errado, de forma que se faz de surdo e cego para tudo aquilo que não provém do seu foco idealístico.

e) Não questiona – Um fanático jamais questiona o que lhe é transmitido, acredita fielmente na fonte do ensinamento que entende ser a verdade, podendo este ser-lhe transmitido pela palavra de um sacerdote, padre, guru, mestre, ou ainda, pela leitura de uma escritura, livro sagrado etc.

f) Tenta convencer os demais da sua verdade – Uma característica marcante de todo fanático é convencer os demais da sua verdade, contudo, se não consegue o seu intuito, reverte o convencimento em crítica.

Na busca da sabedoria, o filósofo demonstra sintomas que muitas vezes podem ser confundidos com os do fanático, porém, com um pouco de observação e análise, perceberemos que são exatamente opostos, como segue:

Não possui ideia fixa – O filósofo não possui uma ideia fixa por entender a relatividade de tudo. Já que vive no mundo das opiniões, não pode aceitar uma ideia fixa, muito pelo contrário, a ideia vai tomando vida e forma à medida que se aproxima do arquétipo. O que o filósofo compreende como fixas são as leis da Natureza manifestadas, através das quais se pode aproximar das ideias.

Não detém a verdade nem o único caminho – O filósofo, por ser eclético e entender que existem diversos caminhos que levam ao mesmo lugar, aceita e respeita todos, reconhecendo que o melhor caminho é aquele que nos torna melhores e que, não necessariamente, tem de ser o mesmo para todas as pessoas.

Ação e sacrifício – O filósofo já entendeu que não é qualquer ação que vai conduzi-lo à sabedoria e sim a ação reta, aquela revestida de ética, assim como entendeu que o sacrifício que deve fazer deve vir acompanhado de inteligência. Não é o fato de nos privarmos de sono, alimento, ou qualquer outro bem, que necessariamente significa sacrifício. É muito mais nobre oferecermos aos Deuses nosso trabalho organizado, nosso tempo bem administrado, nosso respeito aos ciclos biológicos. Muitos dos nossos sacrifícios são falsos, pois, na verdade, são feitos tão somente para compensar a nossa falta de planejamento, nossa inércia etc.

Está sempre aberto – Um filósofo está sempre aberto para novos conceitos, vê nas novas filosofias uma forma de poder comparar e aprender, respeita todas as ideias.

Sempre questiona – Um filósofo sempre deve questionar-se, bem como  tudo o que ouve e lê. O questionamento é a forma de sempre manter o foco do seu caminho. Um homem  fanatiza-se quando para de questionar, passando a acreditar e adotar o que lê e ouve como verdade absoluta.

Não tenta convencer os demais da sua verdade – Pelo simples fato de acreditar no seu caminho, não busca convencer os demais a seguirem o mesmo; muito embora convide, aceita o não, não se tornando inconveniente; conquista com o exemplo de vida e não exatamente com a persistência tola.

Como podemos perceber, há uma linha tênue entre o filósofo na sua busca da sabedoria e o fanático. Este último tem certeza de que está no caminho, porém não evolui e, por não se questionar, não consegue  autoavaliar-se; o fanático limita sua própria evolução quando se fixa a uma ideia e não deixa que mais nada faça parte do seu mundo.

Por trás do fanático  esconde-se um homem covarde e ignorante: covarde por não ter coragem de encarar novos conceitos e ignorante por achar que conhece a verdade. Esteja sempre alerta, vigie constantemente seu foco,  autoanalise-se quanto aos sintomas do fanatismo. Um filósofo no caminho da sabedoria pode facilmente  tornar-se um fanático, porém é mais difícil trazer um fanático à verdadeira filosofia.

Submit a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *