Como solucionar nossos problemas

Como solucionar nossos problemas

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Todos nós, se questionados sobre nossos problemas, imediatamente apresentaremos uma relação deles e nos parece que toda a nossa vida gira em torno destes problemas. Vivemos reclamando e  expondo-os em toda a oportunidade que temos, porém, sequer sobra-nos algum tempo para nos questionarmos o que sejam de fato estes “problemas”. Também, por desconhecermos suas verdadeiras causas eles  multiplicam-se e, não raras vezes,  tomam-nos de assalto.

 

– O que é um problema?

Sob os olhos da filosofia aquilo ao qual chamamos de problema não existe da forma com que o vemos, pois é mera criação da nossa mente concreta quando nos relacionamos no mundo físico, ou seja, um problema nada mais é do que a projeção externa de uma desarmonia interna, na maioria das vezes de difícil detecção.

A colocação acima explica porque as pessoas, de forma geral, têm problemas manifestadamente diferentes na forma e na sua profundidade. Porém, isto se explica pelo fato de sermos todos diferentes uns dos outros, portanto, naturalmente alimentaremos uma relação particular com o mundo que nos cerca.

 

– Como  nos relacionarmos com os problemas?

Primeiramente, podemos afirmar que a parte mais importante de um problema é a forma pela qual nos relacionamos com ele e isto significa não somente a forma com que o vemos, mas também o grau de importância que damos a ele. Você já reparou que nossas maiores lições de vida advêm dos nossos maiores problemas?

Isto é um fato, todo período de maior dificuldade que enfrentamos na vida é justamente aquele do qual extraímos maiores ensinamentos e, portanto, crescemos mais como seres humanos, polimo-nos mais, pois se quisermos tirar uma incrustação maior de um objeto certamente deveremos utilizar  um material mais abrasivo,e assim também é a vida.

Sendo assim, podemos afirmar que o que chamamos de problema de uma forma negativa, na verdade é sempre uma oportunidade de aprendizado, ou também podemos chamá-los de provas e acontecimentos os quais têm a finalidade de nos alertar e desenvolver virtudes as quais nos transformarão em pessoas melhores.

Observe que, quando mudamos nossa forma de ver os acontecimentos, deixando de lado a carga negativa da palavra “problema”, imediatamente nossa relação com os fatos  torna-se mais leve. Observar uma situação não como um problema, mas como uma oportunidade de crescimento, tem o poder de inverter a energia que colocamos na solução desta.

Os problemas são tão parte de nossa vida na ajuda de cumprirmos a nossa missão de desenvolvimento de consciência que, se pudéssemos excluí-los da nossa vida num passe de mágica, tudo perderia o sentido e certamente cairíamos numa profunda depressão.

 

– Graus de intensidade de um problema.

Observe também que a quantidade de energia movimentada por um problema até final solução está diretamente relacionada com a importância com a qual carregamos os elementos que estão envolvidos na questão, ou seja, cada pessoa dá a um problema uma importância particular de acordo com sua prioridade de vida, ou seja, seus valores formados durante a vida, bem como o que é sua prioridade de momento.

Neste diapasão, temos que um mesmo problema tem efeitos diferentes de acordo com a realidade de cada um, por exemplo: Um risco num automóvel pode ser motivo de discussão, briga e até morte para uma determinada pessoa, porém para outro que acabou de saber que está com um grave problema de saúde, um risco no seu automóvel é por demais irrelevante, de sorte que até a morte passa a ser relativa de acordo com cada pessoa, na conformidade do seu nível de apego ou desapego e ao seu nível de consciência sobre a vida e as leis da Natureza.

 

– Qual a causa dos problemas?

Raramente nos questionamos sobre a verdadeira causa dos problemas, geralmente nos contentamos em trabalhar a causa próxima, a qual aparentemente gerou o que chamamos de problema.

Quando agimos assim,  tornamo-nos reféns da vida e dos próprios problemas, pois acabamos agindo sobre seus efeitos e não sobre a verdadeira causa. Todo problema tem duas causas, a primeira é o que chamamos de causa aparente e a segunda é a causa remota.

Causa aparente é, na verdade, um efeito de uma causa anterior a qual chamamos de remota, porém, para os olhos menos atenciosos, este efeito soa como causa e é sobre ele que normalmente atuamos. É por este motivo que ele voltará.

Repare  na sua vida como os problemas surgem e ressurgem, algumas vezes com uma forma um pouco diferenciada, porém, testando-o no mesmo ponto. Isso ocorre porque não agimos ainda sobre a sua verdadeira causa, de maneira que a origem do problema continua atraindo as mesmas circunstâncias de prova e aprendizado, as quais chamamos ingenuamente de “problemas”.

Observe que muitas relações afetuosas falidas ressurgem com as mesmas problemáticas na próxima relação, ou seja, atraímos para nós pessoas parecidas que nos vão provar as mesmas questões internas que ainda não conseguimos superar.

Observe ainda que, muito embora a vida de uma pessoa possa ser mudada quanto à forma, se esta não mudar no seu íntimo, a situação a qual ela foi tirada, em pouco tempo ressurge, como alguém que, num golpe de sorte ganha na loteria, poderá até comprar uma casa nova de alvenaria, porém se mantiver o mesmo padrão interno de pobreza, desordem e mendicância, em breve estará morando num lugar muito parecido ao anterior, terá apenas mudado de endereço.

 

– Como solucionamos os problemas?

Bem, na verdade podemos desenvolver sempre três atitudes saudáveis diante de um problema, sejam elas:

  • Mudar a realidade – Este poder todos nós temos, cabe a nós mudarmos tudo aquilo que julgamos injusto e inadequado para nós, Agir sobre as questões requer vontade, decisão e ação inteligente, e são exatamente estes fatores colocados em movimento que nos proporcionam o crescimento interno, que nos permitem a nossa própria superação para melhor, de maneira que nos construímos com o problema e com a solução.
  • Largar ou desistir – Aparentemente desistir ou largar uma questão não é bem visto, pois remete-nos          a conceitos como covardia, traição, etc., porém, se observarmos com maior clareza, perceberemos que largar muitas vezes é o maior ato de consciência e elevação que um homem pode ter.

Quantas vezes nos arrastamos em sofrimento numa relação afetiva, num emprego, numa amizade, por incapacidade de largar, de se desprender, ou seja, o apego, o fanatismo, o ódio, a paixão, sempre agem sobre nós cegando nosso discernimento, não permitindo que larguemos tudo aquilo que já não traz mais uma relação saudável conosco.

Portanto, muitas vezes a solução de uma problemática está em solvermos nossos vícios na alma, pois esta questão mal resolvida  manifesta-se no externo através dos problemas que se arrastam por anos, levando-nos ao sofrimento, conflitos internos,  afastando-nos da paz interior.

  • Aceitar – Temos de ter inteligência para discernir o que podemos e o que não podemos mudar, pois como disse o filósofo estóico Epiteto:” Há somente dois tipos de coisas, as que dependem de nós e as que não dependem de nós.”

Quando estiver diante de uma situação a qual sua solução depende de você, não hesite, haja de imediato, faça o que tem de ser feito, com determinação e vontade.

Porém, há situações que não dependem de nós, estas situações muitas vezes podem  tornar-nos reféns se assumirmos uma postura absolutamente passiva quanto a elas.

Aceitar algo que não podemos mudar é elevado e necessário, consiste em não oferecermos resistência à realidade. Quando reclamamos de uma situação ou de alguém e não agimos sobre a causa da problemática, estamos simplesmente negando a realidade, resistindo em não aceitar os fatos como eles são na realidade, e isso é mais maléfico que a própria questão da qual reclamamos.

Esta resistência à realidade dos fatos, trava o fluxo natural da energia  esgota-nos psíquica e fisicamente, pois lutamos contra a realidade do universo, cujas consequências remotas são a ansiedade, estresse, hipertensão, tristeza, amargura. Em suma,  faltar-nos-á paz interior.

Resumindo, a solução de todos os problemas da vida jamais estará fora, já que residem dentro de nós mesmos, basta procurarmos as soluções em nós mesmos.

Culpar o sistema, pessoas, etc. das problemáticas que nos atingem, não passa de uma técnica do EGO para fugir do presente e da responsabilidade da ação sobre si mesmo.

 

Por  amá-lo,  desejo-lhe  muitas adversidades…

1 Comment

  1. Sensacional!

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