A Arte da Gentileza

A Arte da Gentileza

                                            A ARTE DA GENTILEZA

 

Não são raras as vezes em que nos deparamos com determinadas situações que nos fazem pensar: “Não poderia esta pessoa ter sido mais gentil nesta situação…” e muitas destas vezes isso ocorre conosco mesmo, quando começamos a trilhar um caminho de evolução e vamos desenvolvendo nossa auto percepção, de maneira a nos revelar não tão gentis quanto a nossa antiga auto imagem nos fazia crer.

O diferencial está em primeiramente podermos perceber que não agimos bem, mas é claro que, mesmo sendo uma auto crítica, esta deve estar livre da culpa, já que a culpa carrega o sentido de auto punição do ego pelo próprio ego, porém, a consciência sobre a nossa falha nos permitirá procurarmos não repeti-la.

Mas o que é ser gentil de fato? A questão é bem mais profunda do que podemos imaginar, a falta de gentileza reflete também a falta de amor, de humanidade; carrega uma grande pitada de egoísmo. Muitas vezes não somos gentis porque estávamos preocupados, sobrecarregados de atividades, com o pensamento fora do aqui agora, e deixamos passar a oportunidade de sermos gentis pela nossa incapacidade de viver o presente.

Isto reflete também que não estamos atentos, não estamos presentes no momento em que somos solicitados, estamos pensando no ontem ou no amanhã, focados em nossas problemáticas.

Muitos se consideram gentis e generosos, no entanto, estas afirmações caem por terra quando estas pessoas são postas a prova pela vida, ai então demonstram seu verdadeiro caráter, pois são traídas pelas pequenas coisas e então percebemos que na realidade não estão imbuídas do bem e do justo.

Ser gentil é sobretudo manifestar o respeito e o cuidado para consigo mesmo e para com os demais, a gentileza se inicia primeiramente da postura que adotamos conosco e num segundo momento da postura que exteriorizamos com relação aos demais.

Ser gentil é não macular o sagrado, ter a capacidade de ver Deus em todos os homens e em todas as coisas, e ter a percepção da não separatividade, ver-se igual ao outro em essência e abandonar a crítica e os julgamentos maliciosos, abrir mão da agressividade e do vício da punição, a gentileza nos faz mais leves e contributivos para com o mundo e todas as coisas e pessoas.

A gentileza está nas pequenas coisas, como informarmos alguém sobre algum procedimento que ela desconhece, e que por pequeno que seja, possa facilitar as suas atividades e por fim a sua vida, poder ajudar dirimindo dúvidas que outros possam ter, e que nós tenhamos as respostas e nos adiantamos aos fatos, em suma, somos gentis não somente quando abrimos a porta para alguém ou o ajudamos quando com as mãos ocupadas, mas sobretudo, quando ao percebermos seu estado de ignorância, o respeitamos e não tiramos qualquer proveito disto.

O ato de ser gentil deve estar implícito o respeito pelos nossos limites e também os limites alheios, pois ser gentil não significa assumirmos as responsabilidades que não nos cabem, mas sim fornecer subsídios para que o outro possa assumir suas próprias responsabilidades. Nossa negligência, prepotência e má utilização do poder, podem ser medidas quando sonegamos ao outro estes subsídios e informações os quais somos detentores.

Quando nos negamos a doar nosso melhor, sonegando um ato de gentileza, estamos em verdade tentando reforçar o nosso ego sobre o ego alheio, pois isso gera uma falsa sensação de domínio sobre a situação, e de superioridade em relação ao outro, vício este ligado ao orgulho.

Em verdade não há nada de glorioso em nos colocarmos superiores a quem quer que seja, a glória está em nos colocarmos superiores ao nosso eu de ontem.

A arte da gentileza não se restringe a prática de atos polidos, pois estes podem simplesmente serem frutos de um adestramento, a verdadeira gentileza necessariamente é sempre resultado do amor incondicional.

Se a postura da gentileza depende exclusivamente de nós, por que então não a assumimos nas nossas vidas?  Por que complicamos tanto as coisas? O ego é a resposta, quando estamos dominados pelo ego e por nossas ‘coisinhas’ não enxergamos o lado bom dos outros, e passamos a postura punitiva, queremos punir o outro pela nossa ‘pobreza espiritual’ e fazemos mal uso de nossas capacidades, assim procedendo, estamos trabalhando pelo mal e não pelo bem.

A palavra “gentil” advém na sua etimologia do latim ‘gentilis’ que significa ‘cortês, delicado, pronto ou ansioso para fazer o bem aos outros’.

É importante também sabermos e termos em mente de que ser gentil não significa apoiar as debilidades dos outros, temos que desenvolver a empatia que é a capacidade de nos colocar no lugar do outro e ver com clareza as suas reais necessidades, ai então, se pudermos colaborar sem que isso nos prejudique ou nos agrida devemos fazer o melhor dentro da situação que nos cabe.

Há situações em que nossa ação bem executada e tempestiva, fará toda a diferença numa problemática de outrem, seja no âmbito profissional ou pessoal, seja no seio familiar, no ambiente de trabalho, nas relações com órgãos públicos ou privados, seja numa escola ou num hospital.

Entretanto, na atualidade, cada vez mais, deixamos de ter uma visão coletiva onde abarque também as necessidades dos outros, e passamos a ter uma visão cada dia mais egoísta e restrita aos nossos próprios interesses, nossa vida se tornou superficial, como se estivéssemos envolvidos numa trama surreal de acontecimentos rápidos e sem profundidade, mas nós filósofos, como buscadores da sabedoria temos que estar despertos para esta realidade e procurarmos nos trabalhar internamente para que não façamos parte deste número imenso de medíocres, e o único caminho é colocar a gentileza nas nossas vidas.

 

Seja gentil !!

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