A maternidade

A maternidade
A maternidade

A maternidade

Um dos aspectos mais sagrados da natureza, se assim podemos dizer, sempre foi a capacidade de gerar, em especial na condição humana, de gerar filhos.

Quem não se comove ao ver a cena de uma mãe com seu filho no colo, ou amamentando? É um misto de delicadeza, harmonia, beleza e continuidade.

A maternidade é uma das muitas formas de procriação, já que ela existe nos mais diversos reinos. Nós a vemos no reino mineral, porém, em face do nosso referencial egocêntrico, muitos sequer percebem que uma pedra ao ser partida em duas, em última análise, multiplicou-se por um processo de divisão, ou ainda, que uma semente que brota sob a ação da água, da terra e do sol, gera um novo ser, ou ainda, que um Sol, ao cristalizar material cósmico, faz nascer um planeta. Todas estas formas são expressões da maternidade universal.

Nas antigas civilizações, não faltou simbologia que expressasse esta força criadora e mantenedora, são as chamadas Madonas, que aparecem na mitologia, nas religiões e nas filosofias, como por exemplo, a loba que amamenta Rômulo e Remo aos pés do monte Palatino que depois acabam fundando Roma; Isis do Egito; Ceres dos Gregos, ou mesmo Maria dos cristãos católicos. Todas trazem o mesmo significado oculto.

Em todas as trindades, o aspecto feminino tem uma grande importância e sempre é revelado como a força de um Logus, uma inteligência divina, uma das formas com que Deus, o grande arquiteto do Universo, se expressa nele, a força do segundo Logus grego, que é o amor no subjetivo e harmonia e manutenção no objetivo.

Esta força tem por finalidade harmonizar todo o universo, mantendo-o unido e em equilíbrio. A esta força dá-se o nome de AMOR, por este motivo não existe maternidade sem amor. Maternidade sem amor é um ato puramente mecânico, ou seja, para ser uma verdadeira mãe não precisa necessariamente parir um filho, precisa sim, eclodir a capacidade de amar.

Muitas são as mães que simplesmente geram filhos, porém nada conseguem doar de efetivamente valioso. A experiência da maternidade é única da mulher e é o que a faz especial, pois ela experimenta em algum nível um amor incondicional, que difere da paternidade.

Porém, em dias difíceis como os atuais, até a maternidade fica comprometida já que, como dissemos, para ser mãe, necessário se faz conduzir suas crias conforme os preceitos naturais de amor e sabedoria. Como podemos garantir uma boa maternidade se os valores básicos da vida estão invertidos?

Este é o principal motivo pelo qual atualmente o exercício da maternidade torna-se um grande fardo para a mulher, primeiramente por já não ter recebido uma educação para ser mãe, o que vemos com muita frequência são meninas mães, crianças ainda, que sequer responderam às perguntas básicas sobre elas mesmas, e já tão jovens, veem-se responsáveis por um filho. Outro fato que contribui muito para a limitação do exercício pleno da maternidade é o fato de a mulher ter um papel econômico muito ativo no atual modelo social, que a deixa sem tempo para poder acompanhar o crescimento do filho, que muitas vezes é deixado em maternais, ou na casa de conhecidos ou parentes.

Não bastassem os fatores acima, numa grande maioria dos casos, as mães que sequer conseguiram um avanço significativo quanto ao seu desenvolvimento espiritual, não conseguem dirigir seus sentimentos de uma forma natural, e acabam projetando nos filhos toda a sua carga de desequilíbrio conquistada ao longo de uma vida sem orientação filosófica. Estes fatos ficam bem evidentes quando vemos a postura da superproteção sobrepujar o bom senso e o amor verdadeiro. O desejo e a posse egoísta, o apego vão deformando a personalidade dos filhos, deixando suas marcas, traumas e psicoses, que normalmente serão carregados por uma vida inteira.

Filhos com doenças respiratórias provindas de um domínio e controle maternos exagerados, filhos com comportamentos infantis por não terem tido incentivo ao desenvolvimento, filhos violentos por não receberem limites, filhos ingênuos e fracos por serem poupados das experiências necessárias, filhos tiranos por nunca terem ouvido um não, filhos inertes por nunca terem sido apresentados ao trabalho.

Isto certamente nada tem a ver com a maternidade. Maternidade é uma energia sagrada da geração com responsabilidade, respeito e amor a todas as criaturas, significa a continuidade do presente através das formas que estão em movimento. O movimento sabemos que sempre existirá, pois é uma força praticamente incontrolável, mas o que nos preocupa é a direção.

A verdadeira mãe sabe comportar-se nas diferentes fases da maternidade, a mãe de um recém-nascido deve ater-se aos cuidados básicos e alimentação, proteção às intempéries, etc. Já a mãe de um adolescente deve ater-se a ser um exemplo para este, conduzi-lo ao caminho da ética por ensinamentos e doação, dando-lhe limites e responsabilidades competentes à idade em que se encontra, acompanhá-lo e ouvi-lo nas suas necessidades, ou seja, aproximar suas almas e não somente seus corpos. A mãe de um homem casado deve também, a seu tempo, saber seu verdadeiro papel, não interferindo na vida do casal, permitindo sobretudo que a nora seja na sua vez uma verdadeira mãe, deve controlar seu ciúme e sua posse, entendendo por fim que toda esta experiência busca uma única coisa: A EVOLUÇÃO.

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