A ecologia e o homem

A ecologia e o homem

Aí está um tema atual e que muito tem preocupado o homem moderno. Vemos cartazes, propagandas, empresas empenhadas em associar seus produtos à ecologia, panfletos, atividades de ONGs defendendo a bandeira ecológica. Mas será que estamos no sentido certo de uma solução verdadeiramente eficaz?

Em primeiro lugar, para respondermos a esta pergunta, temos de entender o que é ecologia de fato e buscar as reais causas da poluição que tem atingido nosso planeta e seus outros seres vivos.

O termo “ecologia”, advindo do grego, reúne dois termos:    ” oikos” que significa “casa,” “habitat”, e “logos”, que significa “estudo”, “inteligência”. Trata-se, portanto, de uma parte da biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o meio ambiente.

Já cabe aqui uma primeira análise e correção na origem da ciência, pois o meio ambiente compõe-se do planeta e de seus recursos naturais. Tais recursos também são seres vivos e, muito embora não tenham uma constituição biológica idêntica à nossa, não somente as plantas e os animais têm vida, mas tudo o que existe: os ventos, a água, a terra, os minerais, pois tudo é criação de Deus. Se Deus é pura vida, tudo o que vem dele também é vivo, e conceber o contrário não é inteligente.

Este fato por si só já faz uma enorme diferença para a ecologia, uma vez que, entendendo que tudo tem vida, somos levados a uma atitude diferente da praticada hoje, quando cremos que toda a natureza está à disposição do homem para servi-lo em tudo o que precisa. Se quisermos praticar a verdadeira ecologia, temos que primeiramente não mais isolar o homem como sendo o centro de tudo, e sim inseri-lo no sistema, no qual deve imperar a harmonia.

Destarte, se entendermos que o cosmo é um sistema absolutamente harmônico, entenderemos que a essência da ecologia é buscar a harmonia do homem no sistema ecológico, ou seja, temos de trabalhar atuando no elemento que está desarmônico e não no que está harmônico.

A pergunta que lanço agora é: as baleias, os pinguins, a água e as tartarugas, por exemplo, estão em desarmonia com a Natureza? Ou será o homem que está em desarmonia?

E se a conclusão é que temos de trabalhar o homem, como fazer isto então? Será que esta não é a verdadeira ecologia?

Ao invés de trabalharmos os efeitos da desarmonia do homem, devemos trabalhar as causas desta desarmonia através da verdadeira educação.

Nas atuais investidas do homem a favor da ecologia, vemos ainda uma cegueira não somente quanto à verdadeira causa do desequilíbrio ecológico, mas também quanto aos seus efeitos. A poluição que há nos rios, os detritos lançados nas ruas, a contaminação do solo, da água e do ar são formas de poluição densas que podemos detectar com nossos privilegiados sentidos. No entanto, esta contaminação vai muito além do que podemos detectar mesmo por aparelhos sofisticados. Estou falando da poluição sutil que o homem tem produzido com seu comportamento egoísta – as formas mentais, que também se constituem de matéria sutil, o chamado “inconsciente coletivo” de Yung.

Estas formas mentais individuais e coletivas poluem o planeta. Elas são produzidas pelo declínio espiritual da humanidade e se fazem exteriorizar por palavras, pensamentos e atos, as mais perversas formas de poluição, que vão- se agregando na atmosfera como uma densa e negra nuvem que contamina todo o meio ambiente onde inserimos o homem.

Tão perdida está a ecologia atual, que chega ao cúmulo de excluir o homem do sistema ecológico. É muito fácil constatar isso: basta analisar a legislação penal, que pune mais severamente a morte de um jacaré do que a morte de um ser humano e, não bastasse isso, tudo o que se tem feito em nome da ecologia na qual o homem não é o alvo principal é energia desperdiçada. Na verdade, podemos afirmar que nada está sendo feito. O que vemos é pura hipocrisia e, muito embora possam até parecer nobres e cheias de boas intenções, são ações inócuas, vazias, sem eficácia alguma, pois não trabalham a verdadeira causa da desarmonia, atendo-se meramente aos seus efeitos.

De nada adianta  pendurarmo-nos em navios, arriscando a vida de homens para salvarmos a vida de uma baleia, se logo adiante este mesmo animal não escapará de um arpão certeiro disparado por um homem sem consciência. De nada adianta protegermos os micos-leões-dourados, se há milhões de seres humanos vivendo abaixo da linha da pobreza, morrendo de inanição. Isso é ecologia??

Não podemos excluir o homem do sistema: nós fazemos parte de tudo isso. Pensar que Deus fez todo o universo apenas pensando no homem é muita presunção, e presunçosos jamais farão a verdadeira ecologia; ou se muda o homem, ou nos destruiremos envenenados pelo nosso próprio egoísmo.

2 Comments

  1. EU SOU AQULE CARA QUE GOSTA DE LER AQUELE BOM LIVRIO, MAS ESSE FOI O MELHOR TEXTO QUE EU JÁ LÍ … ÓTIMO MESMO, UM PONTO DE REFLEXAO, JÁ COMECEI A TRABALHA ISSO EM MINHA CONSCIÊNCIA .

  2. concordo plenanamente com isso!!

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